Existem inúmeros casos de pessoas que se deslocam grandes distâncias para obter atendimento médico e realizar exames. Nestas duas últimas décadas muitas destas pessoas, e dos médicos a que as atendem, vem tendo suas realidades alteradas devido aos benefícios da Telemedicina. Telediagnósticos, cirurgias robóticas e outros serviços que podem ser realizados, desde que haja o equipamento adequado e um médico, em uma das pontas do processo.

A rapidez da telemedicina é expressivamente maior do que o atendimento presencial. Muitos casos não emergenciais podem ser tratados, reduzindo a pressão sobre o atendimento em pronto socorro, isso tanto no âmbito da saúde pública quanto privada.

No âmbito privado, temos o exemplo da  Unimed, que implantou o sistema dentro da própria Sede em vários setores. Os exames de prevenção contra as doenças crônicas da terceira idade já são realizados e analisados através da tecnologia, além de outros tratamentos que à moda antiga, teriam um custo muito elevado, com estes avanços, tais custos já caíram em 50%.

Na esfera pública o Ministério da Saúde, lançou em 2006, um programa que busca melhorar a qualidade do atendimento e da atenção básica no Sistema Único da Saúde (SUS). A ação está presente em todo o Brasil e permite a qualificação de profissionais de Saúde da Família e a troca de informações via internet entre médicos do SUS e especialistas. Isto é possível por meio da oferta de telediagnósticos e teleconsultorias sobre casos clínicos, processo de trabalho, educação em saúde, planejamento e monitoramento de ações em atenção primária à saúde.

Os exemplos de sucesso estão por todo o Brasil, em Minas Gerais, o atendimento por telessaúde é realizado em 710 municípios (83% do Estado), correspondente a quase mil pontos de atendimento, beneficiando mais de 1.900 equipes de Saúde da Família.

Cerca de 60 mil teleconsultorias já foram realizadas e, na área de telecardiologia, o Estado bateu o recorde de mais de dois milhões de eletrocardiogramas analisados a distância com uma média diária que chega a dois mil exames.

Esses resultados foram verificados em estudos focais realizados pelos núcleos do Estado de Minas Gerais e pelo do Estado do Rio Grande do Sul, que mostram que a teleconsultoria é capaz de evitar em aproximadamente 70% dos casos a necessidade de remoção de pacientes, já que esses são resolvidos nas próprias Unidades de Saúde da Família.

Além disso, uma pesquisa de satisfação com as equipes que utilizam o serviço atestou ainda, que 67% dos profissionais acreditam que a telessaúde contribuiu muito para romper a sensação de isolamento e para sua decisão de permanecer em localidades remotas.

A Resolução CFM nº 2.227/2018, possibilitaria fechar todo o ciclo do atendimento, facilitando o processo e salvando mais vidas. Esta Resolução pretendia ampliar as possibilidades de atendimento, diagnóstico e consulta a distância, assim como a criação de regras que protegeriam a segurança dos dados e aumentariam a responsabilidade do médico sobre as informações captadas. Entretanto no dia 22 de fevereiro de 2019 o CFM publicou uma nota revogando a resolução devido ao relevante número de manifestações de entidades médicas, as quais chegavam a 1.444 até a publicação da nota. Entre as principais alegações estavam a falta de clareza sobre os honorários médicos, a responsabilidade do mesmo entre outras questões que as entidades acreditam não apresentar segurança jurídica para a classe.

Ainda, o Conselho Federal de Medicina, afirma que até a elaboração e aprovação de um novo texto sobre o tema pelo Plenário do CFM a prática da telemedicina no Brasil ficará subordinada aos termos da Resolução CFM nº 1.643/2002.

Os profissionais da medicina que realizam o telediagnóstico não tem permissão para transcender os laudos, só podendo ser um complemento.  Apesar disto a telemedicina, se usada de forma eficaz, tem o potencial para ao longo do tempo, simplificar, reduzir os custos e melhorar a qualidade do atendimento.

 

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